Perfume e alergias: a verdade coça

Quando eu nasci, nada me afetava. Não havia pólen nem substância química que me atingisse; eu me sentia invencível. Mas mesmo Clark Kent um dia encontra a Kriptonita, e aos 17 anos eu comecei a encontrar várias. Coceira atrás de coceira, olhos vermelhos, nariz entupido, garganta inchada e falta de ar, todos os sintomas com os quais um alérgico vive todos os dias. Graças ao químicos (aqueles que conseguiram ingressar em uma faculdade pública brasileira antes da extinção das mesmas…), nós vamos sobrevivendo com uma caixa de anti-histamínico.

Mas e os perfumes? Eles realmente causam alergia? Entre realidade e lenda urbana, às vezes a verdade dói…e coça.

Na Europa, a regulamentação de produtos cosméticos (perfumes inclusos) é rígida. Uma lista de 26 substâncias alérgicas aponta os nomes que devem figurar no rótulo do produto se a fórmula do perfume as contém. Um bom exemplo é o da indústria alimentícia. Se você decide vender tapioca com banana, e que o governo brasileiro considera banana como sendo uma substância alérgica, você será obrigado a escrever “banana” no rótulo do seu produto na parte “composição”. Com um perfume é a mesma coisa.

 

Uma nomenclatura internacional chamada INCI (International Nomenclature of Cosmetics Ingredients) é utilizada no mundo inteiro afim de facilitar o reconhecimento das substâncias químicas em qualquer canto do planeta. Muitas substâncias possuem vários nomes, o álcool sendo o melhor exemplo. Também chamado de etanol, para os íntimos, o álcool é conhecido como etan-1-ol. O INCI veio então resolver esse problema e colocar ordem no barraco.

E então um perfume pode causar alergia? E a resposta é sim, tecnicamente um perfume pode ser a causa de uma alergia. Mas é importante saber que nós somos alérgicos a CERTAS substâncias e não a uma fórmula inteira de perfume. Eu mesma, trabalhando em perfumaria, já percebi que várias substâncias me provocam uma alergia. No entanto, eu não abandonaria meu trabalho querido por causa de uma urticária, do mesmo jeito que não falaria aos consumidores “nunca mais use um perfume pois ele provoca alergia”. Que seja em política ou na vida cotidiana, radicalismo não leva a lugar nenhum!

Em caso de alergia, troquem de perfume e fiquem atento aos rótulos e às substâncias que poderiam ser a causa dessa alergia. Lembrem-se de que o ar de São Paulo é 10 vezes mais perigoso e susceptível de causar uma alergia do que 10 litros de perfume…

Qualquer dúvida ou curiosidade, deixem seus comentários!